Este final de ano teremos a oportunidade de participar do planejamento da nossa cidade, contribuir para a agenda de prioridades de nossa Região Administrativa. Os encontros da Agenda 21 local contarão com eventos musicais, com exposições de artefatos reciclados, debates, filmes e será registrado o diagnóstico da comunidade sobre as potencialidades e entraves para se atingir a sustentabilidade. Assim, estes relatos serão materializados em diretrizes para nossa Agenda comum. Nossa ação cooperada é o caminho para um planejamento real. Quem quiser participar entre em contato conosco ou apareça.
A filosofia do professor japonês Masaru Emoto traz para nós uma mirada terna para a água. Seu trabalho é uma chave para compreender eventos referentes à vitalidade da água. Traz a beleza da geometria da água cristalizada e as circunstancias em que cristaliza, das influencias mais sutis às interferências materiais. Aponta o que intuitivamente captamos: águas que passaram por um tratamento e foram química ou fisicamente transformadas têm um menor grau de organização molecular, portanto um a menor vitalidade. Mostrou cristais de água de torneira do mundo inteiro e as comparou com cristais de águas de fontes famosas. Evidentemente, a água de Londres, reciclada e com sérios problemas de potabilidade devido ao alto nível de hormônio ingerido por seus habitantes, apresentou capacidade de cristalização baixa ou nula. Infelizmente, não houve abertura para o debate, restou a indagação de que mensagem ele deixaria para Brasília que passará pelo mesmo processo que Londres. A questão do reuso da água é delicada. O problema com a concentração de hormônio é um entre diversos problemas relacionados com a diluição de contaminantes que não podemos identificar ou não sabemos seu efeito em longo prazo.
Estamos vivenciando uma inflexão da curva de proporção entre disponibilidade e demanda de água, tanto na escala global quanto na escala da bacia hidrográfica. Como exemplo, tomamos a bacia do Paranoá. Esta bacia acolhe o centro do poder da Federação, sofre, portanto, das mesmas contradições da gestão insustentável de seus ocupantes.
O Lago Paranoá, projetado para ter como usuários apenas as navegações de veraneio e para “umidificar o ar da capital”, assiste hoje o conflito entre usos como geração de eletricidade, despejo de efluentes sanitários e agora suas águas serão usadas para abastecimento humano. Não parece haver uma incompatibilidade?
Uma questão vital para qualquer corpo é a separação entre a água que irá nos nutrir e nossos dejetos. Emerge, então, na capital modernista, um dos mais antigos conflitos socioambientais da urbanidade: o aproveitamento da água para abastecimento X diluição de efluentes sanitários.
A resolução deste conflito depois que instaurado é deveras complexo, mas a fé que depositamos na tecnocracia, de que ela resolveria qualquer impedimento, parece justificar empreendimentos que, embora ilógicos, venham a trazer benefícios para uns poucos.
A tecnologia suíça das Estações de Tratamento (ETE’s) adotada pela Caesb pretensamente garante retirada de 92% de fósforo para então despejarem os efluentes sanitários no lago. No entanto, sabemos que a eficiência real destoa em até 10% do projeto de planta.
Ademais, por mais que tenhamos fé na ciência, não há quem garanta que a ETE funcione sem energia, deixando brecha para o que aconteceu à montante do lago Corumbá IV quando a ETE Melchior ficou 11horas sem energia e despejou, por conseguinte, sua vazão durante este tempo nas águas paradas do Corumbá.
Eventos de diluição de cargas de fósforo e outros contaminantes em águas paradas têm o agravante de serem despejados em um corpo hídrico de baixa capacidade de auto-depuração, devido ao baixo movimento das águas e sua baixa oxigenação.
E quanto à garantia de que iremos consumir água de qualidade de nossas torneiras? De que os contaminantes serão retirados satisfatoriamente, que os componentes químicos adicionados não farão mal ou simplesmente que a água goza de vitalidade. Será legítima essa decisão que afetará tantos?
Mas existem alternativas? SIM!
Primeiro, antes de o poder outorgante automatizar a política de oferta da água, ele pode preocupar-se com a gestão da demanda. Utilizamos a água de maneira pouco racional, isso inclui os usuários domésticos, mas também as indústrias e empreiteiras. O Comitê de Bacia Hidrográfica do Paranoá que está por ser instalado é por excelência o espaço público para esta gestão de demanda. Ressalta-se que outorgas de captação de água como esta do Paranoá deveria passar por esse Comitê.
Segundo, é fundamental que o tratamento do esgoto seja progressivamente realizado de forma descentralizada e eficiente. A alternativa do saneamento condominial é interessante porque o efluente diluído no corpo hídrico será muito menor, mas também cada unidade comunitária que adote esse sistema deverá se envolver com o tratamento de seus dejetos.
A comunidade deve ser ouvida e relatar seu parecer. Este é um espaço para debate sobre a questão das águas no Distrito Federal. Vamos falar para que sejamos invisibilizados.